domingo, 1 de dezembro de 2013

CHIADO DE LISBOA E AS FACHADAS QUE MARCAM

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Se pintasse um quadro sobre o Chiado ele seria de fundo escuro mas cheio de contrastes, luz e brilho. Os tons escuros representariam a história e os acontecimentos marcantes. A luz e o brilho, os sons, os movimentos, os aromas e o vai e vem de todos aqueles que deram e dão alma à mais bonita sala de visitas da cidade de Lisboa.

 

Renasceu das cinzas e hoje é um espaço vibrante, ponto de encontro para muitos lisboetas e local de visita para muitos turistas.

Um centro comercial a céu aberto, onde os cafés se vestem de esplanadas e as antigas lojas se renovam embaladas pelo frenesim constante das gentes que sobem e descem as ruas do Carmo e Garrett.






No Carmo caminhamos ao som do fado que sai da velha carrinha verde, embrulhando-nos num manto de nostalgia e no cimo da Rua Garrett, são as músicas alegres e bem-dispostas que encantam as plateias das esplanadas da Pastelaria Benard e da Brasileira. Já para não falar do aroma das castanhas que assam em frente à Vista Alegre quando o Outono chega, ou a melodia dos carris dos eléctricos em direcção à Rua da Misericórdia.
 



E com a aproximação do Natal, uma festa colorida de sons e luzes ao fim do dia fazem do Chiado um espaço encantado para crescidos e pequenos.


Mas o que liga o passado ao presente?

Talvez as antigas fachadas das lojas que foram e já não são … ou que foram, e ainda são.

Fachadas que vestem lojas antigas e modernas conferindo a todas elas um toque de elegância. Por elas passaram gentes da nossa história, foram ouvintes e espectadoras de conversas e tertúlias e hoje reinventam-se com os tempos modernos, sem nunca deixarem de lado o glamour de outros tempos.


 

Por isso aqui fica o exercício das lojas que foram e já não são … ou que foram e ainda são, e que por alguma razão a nostalgia bate à porta, sem pedir licença.


Foi: OURIVESARIA DO CARMO

Hoje é: OURIVESARIA DO CARMO






Fundada em 1924 possui uma das fachadas mais bonitas da Rua do Carmo, decorada a ferro forjado e com o emblema da firma. O seu interior conserva ainda o luxo de outros tempos, com os seus lustres em bacarat e mobiliário antigo.

 
Foi: LUVARIA ULISSES

Hoje é: LUVARIA ULISSES




Um dos ícones da cidade que permanece igual desde a data da sua fundação, em 1925. De fachada neoclássica e mobiliário estilo Império é talvez a loja mais “pequenina” da cidade e a mais encantadora.





Abriu ao público para vender luvas de design exclusivo e de extremo bom gosto e qualidade

Sempre com manufacturação própria é actualmente a única casa que se dedica ao comércio exclusivo de luvas, procurando adaptar-se constantemente às tendências da moda e exigências da nova geração de clientes.

 

Foi: ARMAZÉNS GRANDELLA

Hoje é: VÁRIAS MARCAS INTERNACIONAIS E NACIONAIS


 

Inspirado no Printemps de Paris, marcava as últimas tendências na moda de Lisboa, na primeira metade do séc XX. Com o incêndio de 1988 que afectou toda a zona do Chiado, fechou portas, voltando a reabrir já na década de 90 com um novo conceito de comércio, integrando marcas nacionais e internacionais




No entanto as fachadas foram mantidas. E as estrelas, com o lema da casa – Sempre por bom caminho, ainda se podem apreciar.




Foi: GRANDES ARMAZÉNS DO CHIADO

Hoje é: CENTRO COMERCIAL



Nasceram no final do séc. XIX e foram responsáveis por trazerem a Portugal um comércio multifacetado, inspirado nas grandes cidades europeias, nomeadamente, Paris.

O seu lema era: “Ganhar pouco servindo bem”

Com o incêndio que deflagrou no Chiado em 1988, fechou as portas, voltando a reabrir em 1998 como Centro Comercial.

 

Foi: AU BONHEUR DES DAMES/PERFUMARIA DA MODA

Hoje é: NESPRESSO

 


Hoje a sua fachada “veste” uma das casas da NESPRESSO, mas já foi uma das perfumarias mais importantes da cidade de Lisboa.

Foi inaugurada em 1909 com o nome de “Au Bonheur des Dames”, título de um romance do escritor francês Émile Zola, mais tarde mudou o nome para “Perfumaria da Moda”. Requintada por dentro e por fora, ainda hoje é impossível não reparar na sua fachada.

 
Foi: OURIVESARIA ELOY

Hoje é: GLOBE





Ficava na Rua Garrett esta ourivesaria centenária que serviu a Casa Real. Hoje, no seu lugar está uma marca de roupa feminina. Da ourivesaria ficou a fachada, onde se destaca a porta em ferro forjado com motivos vegetais e o monograma dourado da antiga ourivesaria. No interior um antigo cofre que em tempos guardava joias.


Foi: CHAPELARIA GARDÉNIA

Hoje é: GARDÉNIA (Vestuário e Calçado)






Uma casa centenária com tectos de abóbodas de arestas, cuja obra se deve ao Arq. Raul Lino. O nome foi mantido, bem como a fachada e interiores. Lá dentro, roupas, sapatos e malas fazem há mais de 20 anos as delícias de todos os que querem andar na moda.

 

Foi: OURIVESARIA ALIANÇA

Hoje é: TOUS




 

Foi uma das Ourivesarias mais conceituadas, hoje acolhe uma marca internacional, TOUS. Mas a sua fachada e interiores mantêm-se inalterados. O seu interior é ricamente decorado com pinturas representando cenas celestiais envoltas em talha dourada e no exterior portas maciças em ferro forjado com apontamentos dourados complementam o estilo rococó deste espaço.

Importa salientar que a Ourivesaria Aliança era considerada uma das melhores oficinas de ourivesaria da Península Ibérica. Era comum receber encomendas importantes, nomeadamente, a Espada de Honra oferecida ao general Carmona, o sacrário da Igreja dos Congregados no Porto, bem como peças para o santuário de Fátima.

 

Foi: LIVRARIA BERTRAND

Hoje é: LIVRARIA BERTRAND

 


A Bertrand do Chiado foi considerada em 2011 pelo Guiness World Records a livraria mais antiga do mundo em funcionamento. Um marco na cultura da cidade mas também do país. Por ali passaram intelectuais, escritores, políticos. Aqui debatiam-se ideias e ideais, por vezes em apaixonantes tertúlias. Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Antero de Quental, Ramalho Ortigão, foram algumas figuras habitués.

A fachada castanha de linhas simples mantém-se ao longo dos anos, inserida num edifício de estilo pombalino, bem como os seus interiores recheados de salas e mais salas, cheias de livros para todos os gostos e interesses.

 

Foi: PARIS EM LISBOA

Hoje é: PARIS EM LISBOA




Esta é também uma casa centenária que serviu a Casa Real. Data de 1888. No seu início era responsável pela venda de tecidos, sedas, brocados e fazendas vindas da cidade da “moda”, Paris. A par da venda dos tecidos possuía também um atelier de onde saiam vestidos inspirados nas últimas tendências da moda parisiense. Mais tarde diversificou o negócio, passando a ter disponível ao público, perfumaria e artigos para o lar.

Hoje conjuga o glamour com o conforto e as necessidades actuais, comercializando têxteis para o lar continuando a ser uma referência de bom gosto e qualidade. 

De fachada sóbria, destaca-se a sua porta castanha com o seu “boné” preto em forma de concha com apontamentos dourados.

 

Foi: A BRASILEIRA

Hoje é: A BRASILEIRA



 
Estreou-se em 1905 a vender produtos oriundos do Brasil, nomeadamente, goiabada, tapioca, farinhas e como não podia deixar de ser, também vendia café. Em 1925 foi remodelado e transformado em café, e assim nasceu a “A BRASILEIRA”.

É talvez o café mais carismático de Lisboa, o ponto de encontro ao longo dos anos de muitos poetas, filósofos e políticos e motivo de curiosidade dos muitos turistas que nos visitam. Foi aqui que nasceu o nome “bica”, o nome tradicional para o café servido em chávena.

O seu interior é como um museu, expondo telas de pintores portugueses consagrados e a fachada é uma das mais marcantes do chiado em estilo Arte Nova.

 

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